Morador do interior de SP pesca peixe de 100 kg no Rio Juruena e o devolve à natureza: 'É preciso preservar'

  • 23/06/2022
(Foto: Reprodução)
Pescador de Bauru (SP) fisgou o piraíba, conhecido como 'tubarão do rio'. Espécie, ameaçada de extinção, deu as caras em rio na divisa dos estados Mato Grosso, Amazonas e Pará. Fernando, à direita, saiu de Bauru (SP) e pescou o peixe piraíba na região norte e centro-oeste do país Fernando Fabian/Arquivo pessoal Um morador de Bauru (SP) conseguiu fisgar o "maior peixe de sua vida" durante uma pescaria no Rio Juruena, na divisa dos estados do Mato Grosso, Amazonas e Pará. Segundo Fernando Fabian, o peixe é da espécie piraíba e pesava 100 kg. Fernando diz que a espécie conhecida como "tubarão de água doce" é considerada o maior bagre das águas brasileiras, e segundo de água doce, atrás apenas do pirarucu, além de ser um dos maiores peixes de couro da América do Sul. A espécie, ameaçada de extinção, deu as caras no afluente e surpreendeu o grupo de 25 pessoas que acompanhava o pescador do interior de SP. Apesar da euforia, Fernando, que pratica a pesca esportiva, decidiu fazer a soltura logo na sequência, e leva isso como um dever de preservação da natureza. Ele conta que a emoção pela captura só perdeu para a sensação de cansaço em decorrência da força para retirar o peixe da água e da preocupação na hora de devolvê-lo ao habitat natural. "Depois que ele subiu, eu fiquei exausto, nem expressar minha alegria eu consegui naquele momento. Mas o processo de devolução não é simplesmente soltar o peixe. Você pode tirar fotos, mas é preciso preservá-lo para que ele não morra. Então, após recuperá-lo, nós o soltamos novamente para o local do qual é dono", diz. Pescador captura segundo maior peixe de água doce e devolve para o rio Peixe grande Com um corpo robusto e de grande porte, a piraíba, que também é conhecida como piratinga e piranambu, conta com seis barbilhões sensitivos na região anterior de sua cabeça. A espécie, em alguns casos, pode alcançar até três metros de comprimento e 300 quilos. Apesar de o exemplar fisgado por Fernando ter um peso mais "modesto, foi o suficiente para ele levar parte do grupo a ficar cerca de uma hora até realizar a retirada do animal da água. "De repente, senti algo. A gente sabia que era um peixe grande, mas não sabia qual. Tivemos que soltar o barco e começamos a trabalhar para tentar trazer o peixe, demorou cerca de uma hora e dez minutos", conta Fernando. "O meu parceiro me ajudou a trazê-lo. Depois de meia hora fazendo força, a mão começa a estremecer, você não tem mais força, não consegue dominar o peixe. Neste momento, a gente foi revezando entre nós, até a hora que ele cansou", complementa. Para surpresa de Fernando e dos colegas de pesca, o peixe capturado foi justamente o de uma espécie que vive no fundo dos rios e que, nos últimos anos, busca resistir à caça ilegal e, consequentemente, à sua própria extinção. Espécie piraíba costuma viver no fundo dos rios Fernando Fabian/Divulgação Tradição sustentável "Com certeza foi o maior peixe que eu pesquei e acho que vai ser o maior da vida mesmo. Não vou conseguir maior que esse e também nunca tive pretensão de pegar o peixe. O legal é pegar e soltar ele de volta para a natureza, não matar. Para que essa cultura (de pesca) continue sendo passada para filhos e netos, é preciso preservar e respeitar o meio ambiente. Se a gente não proteger, não teremos nada", diz. Animal foi devolvido ao rio minutos após a captura Fernando Fabian/Divulgação E a preocupação de Fernando faz jus à atual situação. O aplicativo Ictio, criado por cientistas da América Latina para mapear o aparecimento de espécies amazônicas nos rios brasileiros, tem como maiores exemplares de piraíbas livres dois peixes de 138 quilos. No entanto, elas foram registradas livres até o fim de 2020, entre os rios Jandiatuba e Juruá, no estado do Amazonas. A espécie carnívora ocupa o topo de sua cadeia alimentar e, sem escamas, lembra um tubarão com "antenas" e "bigode", usados para se guiar embaixo d'água. O piraíba tem uma procriação comum, se reproduzindo durante o período da piracema. Além disso, por ser um peixe extremamente voraz, ele consegue comer outras espécies por inteiro, sendo exemplos de presas os peixes pacu-peba, traíra, matrinxã, cascudo e piranha. Fernando pratica a pesca esportiva há anos Fernando Fabian/Arquivo Pessoal VÍDEOS: assista às reportagens da região Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2022/06/23/historia-de-pescador-homem-captura-segundo-maior-peixe-de-agua-doce-e-devolve-para-o-rio-e-preciso-preservar.ghtml


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