Dos R$ 10 à Bolsa: jovens do interior de SP contam como começaram a investir e especialistas dão dicas

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Reserva de emergência e quitação de dívidas abrem portas para novos investimentos Investir dinheiro não é um hábito exclusivo de quem tem grandes quantias disponíveis. Jovens investidores e especialistas da região centro-oeste paulista mostram que, com organização financeira, planejamento e aportes que podem começar com valores baixos, é possível dar os primeiros passos e fazer o dinheiro trabalhar a favor do futuro. Os especialistas ensinam que o primeiro passo é quitar todas as dívidas. O segundo é conseguir juntar a reserva de emergência. Essa quantia é referente a pelo menos 3 a 6 vezes ao gasto mensal, de acordo com alguns deles. E é importante entender que não são seis vezes o salário que você recebe e sim seis vezes o valor referente ao seu gasto mensal. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Com esse “colchão” feito, chega a hora de começar a investir em outras coisas mais rentáveis e um pouco mais arriscadas. E aí começam as dúvidas, porque são muitas opções, mas na reportagem, você confere alguns exemplos e como eles funcionam na prática. LEIA TAMBÉM Com bazar e educação financeira, escola de Bauru ensina crianças a evitarem dívidas no futuro ‘Educação financeira’: meninos vendem artesanato e juntam latinhas para comprar cavalo e skate dos sonhos Do cofrinho ao PIX: como crianças estão aprendendo a lidar com o dinheiro; especialista explica Especialistas dão dicas sobre as opções de investimentos TV TEM/ Reprodução Da reserva de emergência aos investimentos A Thamires Gomes dos Santos trabalha como analista de negócios no interior de São Paulo. Hoje, a organização financeira faz parte da vida dela. Primeiro, veio o hábito de poupar dinheiro. Depois, passou a ser investidora. “A reserva de emergência é o primeiro passo. Depois disso, que eu defini a minha reserva de emergência, estava ali mais assegurada, eu comecei a atuar com outros investimentos mais arrojados, que aí seriam a Bolsa de Valores, ações, fundos de imobiliários, de outras modalidades que, você tem o risco e a rentabilidade não é garantida. Então, ter essa segurança anteriormente, para começar a atuar com essas modalidades é fundamental”, E com isso, ela entendeu um ponto-chave, que não é necessário grandes quantias para começar a investir. “A gente tem muito o estereótipo de que só rico investe, de que eu preciso ter um dinheiro muito alto. Mas não, eu acho que o hábito de poupar, independente do valor, já é o importante. Comecei com R$ 10, R$20. Inclusive, nós temos Tesouro Direto, que é um investimento muito conservador, que é do próprio governo. E começa lá com R$ 30, R$40. Então, não precisa ter essa fortuna toda.” O Tesouro Direto, inclusive, é um bom começo para falar sobre investimentos. Tesouro tem a ver com o caixa da União, porque é basicamente como se o investidor emprestasse dinheiro para o governo, como explica o assessor de investimentos Felipe Chad. “No Tesouro Direto, o investidor empresta dinheiro para o governo. O governo precisa fechar as contas, pagar as contas públicas. Então, ele emite dívida, ele se endivida sempre. E aí, o pequeno investidor consegue participar disso, ele consegue emprestar dinheiro para o Tesouro. Basicamente, está emprestando dinheiro para a União, para o governo federal, através do Tesouro Direto, com valores bem baixos, bem acessíveis. Esses investimentos têm um prazo. Então, tem investimentos do Tesouro Direto com prazos bem pequenos, reduzidos, um ano, dois anos, até investimentos que vão até 2065. Então, pode servir como uma espécie de ferramenta para a aposentadoria.” Thamires conta que começou guardando R$10, R$ 20 e hoje faz investimentos mais arrojados, como ações na Bolsa de Valores TV TEM/ Reprodução Mas como funciona na prática? O consultor financeiro Emerson Santos explica como funcionam os investimentos na prática, com exemplo da aplicação de R$ 1 mil, na comparação entre a poupança, investimentos de renda fixa e os de renda variável. “Você tem aí, hoje, três tipos de investimento, que um deles é a poupança, você tem a renda fixa e você tem a renda variável. A poupança não é tão aconselhável, porque quando você aplica aqui R$ 1 mil, você só vai ter o rendimento depois de 30 dias. Caso você precise, no 27º dia, esse valor, você não tem nenhum rendimento. Já a renda fixa e a renda variável, se você aplica esses mesmos R$ 1.000, dentro desses 27 dias, você vai ganhar os juros diariamente. Então, é mais vantajoso a renda fixa ou renda variável”, explica. Além disso, tem o percentual de rendimento de cada modalidade. “Em termos de rendimento, hoje, a poupança está rendendo em torno de 0,5, 0,6, 0,7% no máximo, e isso em um mês. Então, você vai ganhar [com a quantia de R$ 1 mil] R$ 7,00 em um mês, ou seja, só em 30 dias. Na outra opção [rendas fixa ou variável], por ser o rendimento diário, você vai ter um rendimento maior dentro desses 30 dias, mas se nós pensarmos que você vai ter aproximadamente um rendimento de 1%, você vai ganhar os R$ 10 dentro do mês, mas se você tirar esse dinheiro em 15 dias, os R$ 5,00, aproximadamente, está garantido. Multiplicando isso daqui por 10, por 100, é o quanto você ganhar diariamente.” E a diferença entre a renda fixa e a variável? “Entre renda fixa e renda variável, há grande diferença. Renda fixa, quando você aplica o dinheiro, você já sabe quanto vai ganhar lá na frente. Renda variável vai depender muito do mercado financeiro, essas oscilações que tem para mais ou para menos”, ressalta o consultor. Emerson explica as diferenças entre os tipos de investimento TV TEM/ Reprodução Jovem investidor Aos 16 anos, Victor Salina percebeu que existia vida além da poupança e foi ainda mais longe. Hoje, trabalha ajudando outras pessoas a fazer o dinheiro render. “Com 16 anos, comecei a me interessar pela área. Com 18 anos, comecei a juntar o dinheirinho que eu tinha e colocar para investir. Isso foi me interessando cada vez mais até que eu decidi que essa era uma das profissões que eu queria seguir na minha vida e estou aqui até hoje”, destaca o consultor financeiro. Ele tem propriedade para trazer algumas dicas interessantes para quem quer começar. “Acho interessante a gente olhar, por exemplo, as caixinhas dos bancos, que são investimentos que rendem a mesma coisa que a taxa básica de juros e que tem uma liquidez, uma facilidade de acesso a esse capital muito grande. Olhar para títulos públicos, onde você empresta dinheiro para o próprio governo e olhar para os fundos de investimento que têm essas características. Então, acho que se a gente começar por esses três, a gente definitivamente vai ter um bom começo.” Victor começou a se interessar em investimentos aos 16 anos e hoje ajuda outras pessoas a investirem TV TEM/ Reprodução Onde investir? Quem quer investir, diante de tantas opções, precisa ter em mente qual é o objetivo ao começar a investir e aonde quer chegar com esse investimento. “Se ele quer algo um pouco mais saudável no sentido de que ele quer comprar, vai comprar um bem logo em seguida, coloca em uma renda fixa. Você faz aí uma pesquisa onde você consegue, nesses mercados digitais, você está com 110, 115, até 120% do valor do CDI. Então, aí você faz um investimento que você vai guardar esse dinheiro para que você adquira um bem em pouco tempo”, afirma Emerson Santos. Mas, se o dinheiro é para o futuro, existem outras opções. “Agora, se ele já está pensando mesmo lá no futuro, aí sim, já vai para ações, já vai correr um pouco mais de risco, mas, com certeza, o tempo vai ser sempre a favor de você ter um rendimento bacana lá no futuro”, completa o consultor financeiro. Só tenho R$ 50, dá para investir? “A primeira coisa é você saber o seu perfil, se você é mais agressivo ou mais conservador. Sendo mais agressivo, e se você tiver um prazo longo para o seu investimento, eu investiria na Bolsa de Valores”, aconselha Felipe Chad. O assessor de investimento dá alguns exemplos também. “Você pode investir com R$ 50 em um fundo de ações, por exemplo. Se você tiver um perfil mais conservador, eu compraria um título do Tesouro Direto. E aí você não vai ter grandes oscilações de preço, aceitando, talvez, um retorno menor no seu investimento. Mesmo assim, o que importa é começar o quanto antes.” Desde muito jovem envolvido nesse universo dos investimentos, Victor reforça como a educação financeira pode mudar a vida das pessoas. “Investir muda a vida da pessoa, faz parte do caminho. A gente não pode depender só dos outros para o nosso próprio futuro. E o investimento é justamente isso, é trazer o nosso futuro para as nossas mãos”, completa Victor. Confira abaixo as outras duas reportagens da série sobre jovens investidores exibida na primeira edição do Tem Notícias: Educação financeira: saiba como quebrar mitos e começar a investir com pouco Entenda o que são criptomoedas e como funcionam os investimentos em bitcoin Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/08/16/dos-r-10-a-bolsa-jovens-do-interior-de-sp-contam-como-comecaram-a-investir-e-especialistas-dao-dicas.ghtml


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